domingo, 7 de fevereiro de 2016
Adeus à Carne.
"Adeus à carne"
Gritam de Torres a Lisboa. Ouviu-se o grito silencioso, das trinta e nove chicotadas. De Belém ao Cais do Sodré. Quarenta dias de jejum. Será? Não. As máscaras apenas vão sair à rua, os crentes e não crentes vão contar os dias até se reunirem com as famílias. Por agora: Veste-se uma roupa engraçada. O simbolismo fica no passado. No coração de alguns. O que importa é vestir o fato da avó, um corpo azul, a pele de uma personagem, a roupa de um génio, os óculos fundo de garrafa, a cabeleira morena ou loira, o nariz de palhaço, o chapéu de bruxa. Hoje podemos ser quem quisermos. Eu? Eu fujo aos palhaços. Fujo às máscaras que me olham pelo canto de olho. Troco olhares descarados mas não os trago para casa. Visto eu uma máscara, e caminho. Que saudades de vestir uma máscara, mas não hoje. O meu caminho é para a frente. Da Estrela à Baixa Chiado. Veem-se Princesas, tartarugas Ninja, pais a passear crianças, crianças a passearem os pais. Veem-se turistas a visitar a nossa Lisboa, a nossa "imperfeição criteriosa". Faltam ainda os confetes e os desfiles, os narizes de palhaço, e as pinturas na cara. Deixam-nos para segunda-feira ou terça-feira. Lisboa fugiu para Torres. Eu fico por aqui. Está frio, e estou a escrever. Amanhã há trabalho. É este o meu Carnaval. E dizem que no Carnaval ninguém leva a mal. Por isso posso ficar por aqui. E quero ficar aqui. Podia ficar ali também, em cima do palco. Saudades de vestir uma máscara, e estar em cima do palco. Ou estar apenas nú. Estar no palco, mas não hoje. Hoje é altura de Carnaval. Tinha tudo para funcionar: rapaz do palco, roupa, maquilhagem, divertimento, festa. No entanto, não gosto do Carnaval. Bem, não é que não goste. Não gosto de palhaços, de máscaras, de bombas de cheiro, de pessoas parvas.
Pronto. Não gosto do Carnaval.
Vejo-o de fora.
E também não digo "Adeus à Carne".
Por hoje, esqueço a máscara.
E sou quem sou.
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